A Inteligência Artificial já transforma diferentes áreas da saúde e começa a mudar também a forma como os futuros médicos aprendem, pesquisam e tomam decisões. Esse foi um dos principais temas da Semana da Inovação e Saúde, promovida pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), em maio de 2026.
A programação foi aberta com a palestra “Educação Médica 5.0: os novos rumos da Educação Médica – formar o médico para o futuro e o manejo da tecnologia e IA”, conduzida pela Profa. Dra. Marília Jesus Batista de Brito Mota, Profa. Ms. Ana Paula Zanin Felgueiras e Prof. Ms. Guilherme Frayha.
A atividade discutiu um dos principais desafios atuais da educação médica: como preparar profissionais para utilizar novas tecnologias sem abrir mão do conhecimento científico, do pensamento crítico e da relação humana.
O médico do futuro começa a ser formado hoje
A Medicina 5.0 representa uma nova relação entre tecnologia e cuidado em saúde, com ferramentas digitais, Inteligência Artificial e análise de dados cada vez mais presentes na rotina profissional.
Durante a palestra, os participantes discutiram como essa transformação deve fazer parte da formação acadêmica. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) já preveem competências relacionadas ao uso crítico, ético e eficiente de tecnologias na saúde.
Mais do que aprender a utilizar uma ferramenta, o estudante precisa compreender quando, por que e como utilizá-la, além de reconhecer suas limitações.
Inteligência Artificial como ferramenta de apoio
Foram apresentados conceitos relacionados à Inteligência Artificial generativa, tecnologia capaz de produzir conteúdos a partir de comandos, e aos Large Language Models (LLMs), modelos utilizados por diversas ferramentas de IA.
Na área médica, esses recursos podem apoiar atividades de educação, pesquisa, organização de informações e acesso ao conhecimento. No entanto, os especialistas reforçaram que a IA deve ser utilizada como ferramenta de apoio, e não como substituta do conhecimento e da decisão profissional.
IA não substitui o pensamento crítico
Outro ponto destacado foi a necessidade de verificar as informações produzidas pela Inteligência Artificial. Na Medicina, respostas incorretas ou descontextualizadas podem trazer consequências importantes.
Por isso, a avaliação das fontes, o conhecimento científico e a Medicina Baseada em Evidências continuam essenciais.
Uma das mensagens apresentadas durante a palestra sintetizou esse desafio: “Você não vai ser substituído por uma IA, você vai ser substituído por alguém que usa IA”.
A frase reforça a necessidade de desenvolver novas competências para trabalhar com a tecnologia.
Do prompt à qualidade da resposta
Os participantes também conheceram os prompts estruturados, comandos que fornecem à IA informações como contexto, objetivo, tarefa e formato esperado.
Uma orientação mais detalhada pode gerar respostas mais adequadas, mas o uso da ferramenta exige avaliação crítica. Saber elaborar um prompt é importante; saber analisar a resposta é fundamental.
Tecnologia também transforma o papel do professor
A presença da IA na educação amplia o papel do professor como mediador do conhecimento. Cabe ao docente orientar os estudantes sobre o uso ético, responsável e crítico dessas ferramentas.
As DCNs também destacam a importância da capacitação docente continuada e do letramento digital para acompanhar as tecnologias emergentes.
IA na pesquisa e na Medicina Baseada em Evidências
A tecnologia também pode contribuir para a pesquisa científica, auxiliando na busca, organização e análise de estudos.
Durante a programação, foram apresentados recursos que podem facilitar o acesso a informações científicas. A utilização dessas ferramentas, porém, exige atenção à qualidade das fontes e validação dos resultados.
A IA pode agilizar processos, mas não substitui a análise e a responsabilidade do pesquisador.
O humano continua no centro
Mesmo diante dos avanços tecnológicos, a discussão reforçou que empatia, comunicação, ética, julgamento clínico e relação médico-paciente continuam essenciais à Medicina.
Para a FMJ, preparar o médico para o futuro significa combinar conhecimento científico, tecnologia, pensamento crítico e responsabilidade ética, sem perder de vista o cuidado com as pessoas.
Ao promover a Semana da Inovação e Saúde, a instituição amplia o debate sobre as transformações que já fazem parte da profissão e reforça seu compromisso com uma formação médica conectada aos novos desafios da saúde.
Mais do que ensinar a usar Inteligência Artificial, o desafio é formar médicos que saibam quando, por que e como utilizá-la, com conhecimento, responsabilidade e humanidade.

