Estudo aponta “Diferenças na histologia da placenta entre adolescentes infectados pelo vírus Zika e mulheres mais velhas

A pesquisa comparou a análise histopatológica realizada em placentas de mulheres grávidas adolecentes e mulheres grávidas mais velhas. Os resutados mostram que adolescentes grávidas podem ser mais suscetíveis à infecção pelo ZIKA e podem transmitir para o feto, apontou o estudo.

Em mulheres grávidas, o vírus Zika(ZIKV) está associado a uma síndrome congênita, mais frequentemente envolvendo danos à formação do cérebro do embrião e ao desenvolvimento de microcefalia. Os mecanismos pelos quais o ZIKV entra na interface materno-fetal e é transmitido ao feto permanecem determinados de forma incompleta.
Os achados só foram possíveis, após avaliação das amostras de placentas de mulheres gestantes atendidas no serviço do Hospital Universitário-HU, entre os anos de 2016 e 2018, as amostras foram coletadas pelos profissionais de saúde, pesquisadores voluntários, da Coorte Zika de Jundiaí, e analisado no Laboratório de Patologia e Citologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Os pesquisadores que participaram do estudo foram: Geovane R. Santos, Clovis A.L. Pinto, Raphael C.S. Prudente, Steven S. Witkin, Antoni S. Arandes, Laura C. Rodrigues, Mayana Zatz, Eduardo Massad, Saulo D. Passos e Consórcio Zika. Essa é a segunda publicação do grupo de pesquisa do Laboratório de Patologia e Citologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, em conjunto com pesquisadores da coorte Zika de Jundiaí e Hospital Universitário.

O objetivo da pesquisa foi Verificar a presença do ZIKV no tecido placentário e descrever as possíveis alterações histopatológicas placentárias de gestantes infectadas pelo vírus Zika.
As amostras placentárias foram analisadas pela reação de imuno-histoquímica, das quais 6,5% foram posteriormente identificadas como positivas para ZIKA. A infecção por ZIKV foi mais frequente em mulheres idade igual ou inferior a 18 anos (81,8%) do que em mulheres acima de 18 anos (43,6%).
A detecção de ZIKV foi associada com corioamnionite neutrofílica, com septo, calcificação das vilosidades, Hiperplasia de células de Hofbaue e Expressão da ciclooxigenase-2 foi mais prevalente em mulheres ZIKV-positivas com idade igual ou inferior a 18 anos do que nas mulheres mais velhas com ZIKV positivo. Esses achados apontam que a infecção por ZIKV durante a gravidez ocorre com mais frequência em adolescentes e induz maiores taxas de danos na interface materno-fetal do que em mulheres mais velhas.
Os pesquisadores acreditam que avaliação das alterações histopatológicas presentes no tecido placentário auxiliam no diagnóstico da transmissão vertical da infecção pelo ZIKV. O que demonstra a importância da detecção precoce da infecção pelo ZIKA durante o período pré-natal e com isso iniciar os protocolos contra a doença que podem minimizar as sequelas negativas, mesmo assim são necessários mais estudos para fornecer um quadro mais completo dos mecanismos associados às diferenças associadas à idade na transmissão viral materna para fetal.

O projeto de pesquisa contou com o suporte do programa de incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP.

O artigo com resultado da pesquisa foi publicado no dia 4 de Agosto de 2021, no International Journal of Gynecological Pathology. Link da publicação:
https://journals.lww.com/intjgynpathology/Abstract/9000/Differences_in_Placental_Histology_Between_Zika.98918.aspx#